Cabeça

Como tratar enxaqueca?

O tratamento da enxaqueca tem duas frentes: o que fazer durante a crise e o que reduz a frequência delas. A segunda frente é a que mais muda a vida de quem tem crises recorrentes. O Dr. Roberto Duprat Oberg atende no Rio de Janeiro.

Muita gente com enxaqueca trata apenas as crises, uma a uma, e nunca discute prevenção. Isso explica boa parte da frustração com o tratamento: apagar incêndios não reduz a frequência deles.

O tratamento completo tem duas frentes, e a segunda costuma ser a que mais impacta a qualidade de vida.

Frente 1: tratamento das crises

Envolve medicações específicas, prescritas conforme o perfil de cada paciente, usadas o mais cedo possível na crise. Somam-se medidas de ambiente: escuridão, silêncio, hidratação e sono.

A escolha da medicação depende de condições associadas, uso de outros medicamentos e resposta prévia, e por isso precisa de avaliação médica.

Frente 2: tratamento preventivo

Indicado quando as crises são frequentes, incapacitantes ou não respondem bem ao tratamento agudo. O objetivo não é eliminar completamente as crises, e sim reduzir frequência e intensidade.

Quando costuma ser considerado

  • Crises em quatro ou mais dias por mês
  • Crises que limitam trabalho ou atividades habituais
  • Resposta insuficiente ao tratamento das crises
  • Uso excessivo de medicação para crise
  • Auras prolongadas ou atípicas

Existem várias classes de medicamentos preventivos, com escolha individualizada. O efeito costuma levar semanas para aparecer, o que exige paciência e explica boa parte dos abandonos precoces.

Frente 3: manejo de gatilhos e hábitos

  • Regularidade do sono, inclusive nos fins de semana
  • Refeições em horários regulares, sem jejum prolongado
  • Hidratação adequada
  • Atividade física regular, de intensidade moderada
  • Manejo do estresse
  • Identificação de gatilhos individuais por diário de crises
  • Atenção ao consumo de álcool e cafeína

A regularidade é o princípio geral: o cérebro de quem tem enxaqueca costuma reagir mal a mudanças bruscas de rotina, em qualquer direção.

O papel do diário de crises

Registrar data, duração, intensidade, sintomas associados, medicação usada e o que aconteceu nos dias anteriores fornece a informação mais útil para ajustar o tratamento. Também revela o uso excessivo de analgésicos, que passa despercebido sem registro.

Quando a investigação por imagem é necessária

Enxaqueca típica, com padrão estável e exame neurológico normal, geralmente não exige exame de imagem. Ele é indicado diante de sinais de alerta: mudança de padrão, piora progressiva, déficit neurológico, crise convulsiva ou primeira dor intensa após os 50 anos.

Por que o preventivo parece não funcionar no começo

As medicações preventivas costumam levar de quatro a doze semanas para mostrar efeito completo, e a dose é ajustada progressivamente. Muita gente interrompe na terceira semana, concluindo que não funcionou, quando na verdade o tratamento ainda não teve tempo de agir.

Vale combinar com o médico, desde o início, quanto tempo o teste vai durar e qual é o critério de sucesso. Reduzir as crises pela metade já é considerado um bom resultado — a expectativa de eliminar todas as crises costuma levar a abandonos desnecessários.

Enxaqueca e hormônios

Em boa parte das mulheres, as crises têm relação com o ciclo menstrual, com piora nos dias que antecedem a menstruação. Gravidez, uso de contraceptivos e menopausa também alteram o padrão. Registrar essa relação no diário é útil, porque existem estratégias específicas para a enxaqueca menstrual.

Conclusão

Tratar enxaqueca é mais do que tratar crises. Quem tem crises frequentes se beneficia de discutir prevenção, ajustar hábitos e monitorar o uso de analgésicos — e essa conversa costuma não acontecer.

O Dr. Roberto Duprat Oberg atende no Rio de Janeiro para investigação de cefaleia com sinais de alerta. O tratamento das cefaleias primárias é conduzido por neurologista ou clínico.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Em caso de sintoma neurológico súbito e intenso, procure atendimento de emergência ou ligue para o SAMU (192).

Enxaqueca que atrapalha a rotina?

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