Como aliviar a enxaqueca?
Durante a crise de enxaqueca, algumas medidas simples ajudam a reduzir a intensidade e a duração. Há também um erro comum que piora o quadro a longo prazo. O Dr. Roberto Duprat Oberg atende no Rio de Janeiro.
Este texto trata da fase aguda: o que fazer quando a crise já começou. O tratamento preventivo, que reduz a frequência das crises, é assunto de outro artigo.
A primeira orientação vale para qualquer estratégia: agir cedo. Medidas tomadas no início da crise funcionam melhor do que quando a dor já está no auge.
Medidas não medicamentosas
- Ambiente escuro e silencioso, deitado
- Compressa fria na testa ou na nuca, conforme o que alivia mais
- Hidratação, especialmente se houve jejum ou pouca ingestão de água
- Tentar dormir — em muitos casos o sono interrompe a crise
- Evitar telas e esforço físico
- Cafeína em pequena quantidade pode ajudar em algumas pessoas, mas o excesso é gatilho
Sobre medicações
Existem medicações específicas para a crise de enxaqueca, diferentes dos analgésicos comuns, com indicações e contraindicações que exigem prescrição médica. A escolha depende do perfil de cada paciente e de condições associadas.
Por isso este texto não recomenda medicamentos: a prescrição precisa ser individual.
O erro que piora tudo
A cefaleia por uso excessivo de medicação é um fenômeno frequente e pouco conhecido. Quando analgésicos são usados em muitos dias do mês, a dor de cabeça pode se tornar mais frequente justamente por causa deles.
O ciclo se instala assim: a dor leva ao analgésico, o analgésico alivia por horas, a dor volta, e a frequência aumenta progressivamente. Quebrar esse ciclo exige acompanhamento médico e costuma ser desconfortável no início.
Um sinal de alerta prático: usar analgésico para dor de cabeça em dez ou mais dias por mês, de forma regular, merece conversa com o médico.
Identificar os próprios gatilhos
Os gatilhos variam bastante entre pessoas. Os mais relatados incluem jejum prolongado, privação ou excesso de sono, estresse ou o período de relaxamento após ele, alterações hormonais, álcool, desidratação, luz intensa e mudanças de rotina.
Um diário de crises por algumas semanas costuma revelar padrões que não aparecem de memória.
Quando procurar atendimento
- Crise diferente das habituais, em intensidade ou características
- Crise que não cede com o tratamento habitual
- Vômitos persistentes com risco de desidratação
- Aura que dura mais de uma hora ou que aparece pela primeira vez
- Déficit neurológico que não resolve
Dor de cabeça súbita e explosiva, a pior da vida, é emergência: ligue 192.
O que costuma não funcionar
Esperar para ver se passa antes de tomar qualquer medida é o erro mais comum: quanto mais avançada a crise, menor a resposta ao tratamento. Aumentar a dose por conta própria também não melhora o resultado e amplia riscos.
Excesso de cafeína merece atenção especial. Pequenas quantidades ajudam algumas pessoas, mas o consumo alto e irregular é um gatilho conhecido, e a retirada abrupta provoca dor de cabeça por si só.
Quando a crise dura mais de três dias
Uma crise de enxaqueca que se estende além de setenta e duas horas configura o chamado estado de mal enxaquecoso e merece avaliação médica. Nessa situação, o risco de desidratação por vômitos e a intensidade prolongada justificam atendimento, muitas vezes com medicação por via venosa.
Conclusão
Agir cedo, buscar ambiente escuro e silencioso e manter hidratação são as medidas mais consistentes na crise. O cuidado maior é com a frequência do uso de analgésicos, que pode transformar crises episódicas em dor crônica.
O Dr. Roberto Duprat Oberg atende no Rio de Janeiro para investigação de cefaleia com sinais de alerta.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Em caso de sintoma neurológico súbito e intenso, procure atendimento de emergência ou ligue para o SAMU (192).
Crises frequentes de enxaqueca?
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